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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Entrevista com a Psicopedagoga Tânia Mara Nüssner

...É com prazer que o CAP Michel Foucault entrevista a Psicopedagoga e Professora Universitária Tânia Nüssner, que foi e é professora de muitos de nós acadêmicos da Fameg...

Tânia, para iniciar esta entrevista poderia nos contar um pouco sobre sua vida fora do mundo acadêmico, sobre seus hobbies por exemplo?

É interessante a gente poder pensar na gente separadamente... “Fora” do mundo acadêmico, o “meu” mundo corre perpendicularmente ao tempo e ao espaço profissional. As coisas que gosto de fazer quando não estou trabalhando acabam se cruzando. Gosto de ler, de trocar ideias com amigos e de assistir a filmes. Adoro também bordar. O que acontece é que exerço diariamente, outras funções além daquelas garantidas pelas leis trabalhistas, então, acabo mantendo, até por opção, uma rotina bastante intensa, mas, em geral, muito “curtida”. Pois, meu horário hoje é extremamente flexível e isso é tudo de bom!

Agora sim Tânia, pode nos proporcionar um breve panorama da sua formação e das suas atividades profissionais atuais?

Minha formação profissional “oficial” teve início em 1981, com o Curso de Pedagogia, pela UnB – Universidade de Brasília. Logo após a formação universitária, fui para Florianópolis e fiz o primeiro Curso de Especialização, na UDESC, em Educação Infantil. Há dez anos, terminei outra Especialização e, em seguida, o Mestrado em Psicopedagogia, pela Universidade de Havana, Cuba. Trabalhei em instituições escolares por 25 anos, atendendo a crianças e professores, construindo as necessárias “pontes” entre pais e direção – trabalho que me proporcionou vivência e conhecimento da realidade da sala de aula. Em 1992, iniciei as atividades acadêmicas no Ensino Superior. Hoje, trabalho com consultorias em escolas, tenho turmas de Pós-Graduação no Instituto de Estudos em Moda, Design e Arquitetura Orbitato (com as disciplinas de Metodologia da Pesquisa e Metodologia do Ensino Superior) e tenho assumido as disciplinas de Psicologia Organizacional, para as turmas de Administração e Moda e as disciplinas de Psicologia da Aprendizagem e Problemas de Aprendizagem Escolar do Curso de Psicologia da FAMEG. Outra atividade que me ocupa um tempo considerável é a orientação de artigos científicos e de monografias.

No seu entendimento, qual a importância da visão da Psicopedagogia para os acadêmicos de Psicologia?

Penso que o que importa aos acadêmicos da Psicologia não é o contato com a Psicopedagogia, uma ciência que está nascendo e ainda definindo seu campo de estudo, de atuação e métodos investigativos. A Psicopedagogia já teve um papel reeducativo, já se voltou especificamente para o desenvolvimento, para a aprendizagem e, hoje, tem-se mostrado mais dinâmica e relacional, voltando-se ao ser cognoscente. Ou seja, seu objeto é o sujeito e as relações estabelecidas por ele e com ele. Mas, o que importa, a meu ver, é a contextualização da sua “aparição”, a ideia interdisciplinar trazida por ela. Isso, de verdade, é o que importa. Parece que estamos começando a perceber a necessidade de um trabalho conjunto, da união de forças, da aproximação de profissionais de diferentes áreas, da conciliação de ciências. A visão da Psicopedagogia, por si só, também não interessa diretamente aos sociólogos, médicos, políticos, enfermeiros, ou filósofos. No entanto, todos estes profissionais se (pré) ocupam com o bem estar das pessoas. O que acontece é que diferentes funções e estruturas pessoais e sociais se misturam em uma mesma pessoa. E, por vezes, diferentes ciências se tornam pares, se iluminam em função de alguém. Pedagogia e Psicologia, por exemplo, partem de pressupostos diferentes, veem as pessoas sob pontos de vista diferentes e, nesse sentido, não se harmonizam, nem precisam se harmonizar, são “coisas” – o que precisam é que, cada uma ao seu modo, busque atenuar o sofrimento de quem precisa. O ponto em comum é a pessoa, a visão da pessoa, a sua escuta, o seu organismo, o seu equilíbrio, a sua linguagem. Nesse sentido, a Psicopedagogia é uma tentativa de incorporação de diferentes ciências, pois, tanto a Pedagogia quanto a Psicologia estão embrenhadas em um tempo e espaço histórico, cultural, político, social, econômico. Penso que essa é a visão que importa aos acadêmicos de Psicologia. Essa foi a razão da minha aproximação com a Psicopedagogia.

Como você diferenciaria os fenômenos de intervenção e o arcabouço de conhecimento da Psicopedagogia e da Psicologia Educacional em termos de propostas e atuação?

É interessante essa pergunta, pois ela me permite falar sobre a semelhança entre os termos Psicopedagogia e Psicologia Educacional. Os dois termos parecem declarar a necessidade de tornar a Educação mais psicológica e/ou a Psicologia mais educativa. Entendem? Isso me preocupa. Parece que a ideia é unir o cognitivo e o afetivo, a análise e a síntese, a razão e a emoção, o objetivo e o subjetivo, o simbólico e o real, como se a ciência psicológica ou a ciência educativa fossem incapazes de viabilizar sozinhas, essas uniões (que são anteriores a qualquer ciência). Ou pior ainda, como se a junção dessas duas ciências pudessem explicar fenômenos como o fracasso escolar, por exemplo, que absolutamente não está isento de dimensões éticas, políticas, culturais e sociais. Da mesma forma, não acredito muito na existência de diferentes “tipos” de psicólogos, penso que um psicólogo é um psicólogo, não é organizacional, escolar, hospitalar, clínico... Sei lá... A instrumentalização teórica/ prática do (a) psicólogo (a) se dá em todas as disciplinas cursadas. A “separação” só acontece por uma questão didático-metodológica, necessária à formação profissional. Então, a intervenção e a proposta de atuação do (a) psicólogo (a) que trabalha em uma instituição escolar é muito semelhante ao trabalho desenvolvido em uma instituição de saúde, por exemplo. É necessário comprometimento pessoal e social, compromisso com a dignidade humana, com a diminuição do sofrimento das pessoas, superação de uma visão ingênua de mundo e, sobretudo, “olhos e ouvidos” nas relações. É preciso situar a educação ou a saúde e a sua falta, buscar a raiz das questões, localizar seus processos de construção. Nesse sentido, percebo que a Psicopedagogia é mais específica, seu arcabouço de conhecimento volta-se para o processo de aprendizagem, mas, nem por isso, exige menos comprometimento. 

Na sua opinião, como pode ser dar o trabalho interdisciplinar entre psicólogo e psicopedagogo? Poderia nos relatar algum exemplo de sua experiência?

A dimensão interdisciplinar no contexto da psicologia é imprescindível para a reflexão relacionada à condição humana e para a compreensão das relações advindas dessa condição. No entanto, este trabalho conjunto só é capaz de trazer os resultados esperados se os profissionais envolvidos conseguirem perceber a condição fragmentada do “seu” conhecimento e a visão desintegrada da “sua” ciência. Vivemos numa realidade complexa e a demarcação territorial pode fazer com que nos afastemos ainda mais da dinâmica dessa realidade. A ideia não é negar os ganhos possibilitados e produzidos pelos especialistas, mas é inegável também que eles não têm encontrado soluções para os problemas de suas respectivas áreas de atuação, ou quando encontram, acabam por gerar outros. Os exemplos são inúmeros, estão na política, na economia, na saúde, na educação, na psicologia. É preciso transcender aos limites disciplinares, focar as relações humanas em seus contextos múltiplos. A psicologia, no meu entendimento, não é capaz de buscar respostas para um problema de aprendizagem se não se dispuser a estudar o “fenômeno” em relação ao contexto no qual ele está inserido. É necessário rever as ligações entre os processos de aprendizagem externos (ligados à sociologia, política, economia, pedagogia, epistemologia) e internos (referentes à psicologia, fisiologia, fonoaudiologia, neurologia). As palavras de ordem para um trabalho interdisciplinar são: interação, complementaridade, interconexão. Os problemas de aprendizagem, por exemplo, não são mutuamente excludentes, ao contrário, eles se apoiam em fatores interagentes: conteúdo e realidade, pais e filhos, ensino e aprendizagem, professor e aluno, reflexão e ação, meios e fins. Assim, a ação da psicologia, por si só, não pode garantir resultados positivos, mas é capaz de reencontrar a identidade do aprendiz, fazendo com que ele se perceba aprendente, identifique possíveis bloqueios e potencialidades próprias, acompanhando como acontece o processo de aprendizagem. Enquanto isso, a psicopedagogia pode propor processos de ensino diferenciados, orientar pais e professores nessa caminhada, fazendo com que eles também se percebam enquanto ensinantes e possibilitem a circulação de conhecimentos. Enfim, todos os exemplos que eu poderia socializar aqui se resumem a dizer que um trabalho interdisciplinar sempre dá certo quando o ponto em comum é a pessoa e a sua linguagem. A linguagem é que cria a realidade e, são múltiplos os discursos repetitivos que se desenvolvem. Ao trabalho interdisciplinar cabe interligar a rede de relações e de significações, mantê-la em movimento, através de leituras e releituras de fenômenos pessoais e sociais, de escuta e de (re) visita a marcas simbólicas. O aluno que não aprende não pode esperar por uma reforma no sistema social ou educacional, nem pela atualização de políticas públicas sérias e comprometidas. Tampouco tem tempo para a descoberta da cura da dislexia ou pelo aumento do salário do professor. É preciso trabalhar com o modo de aprender de cada aluno, identificar o seu estilo cognitivo, encontrar a sua marca, ler o seu sintoma, localizar pontos de articulação entre o sujeito e o discurso social a fim de livrá-lo de amarras. O trabalho entre psicólogo e psicopedagogo tece, então, uma rede invisível de relações cujo ponto em comum é o sujeito e a sua linguagem. Afinal, a reprodução humana não termina na dimensão orgânica.

Lecionar em classes de Psicologia lhe proporcionou crescimento pessoal e profissional?

Muito! Trabalhar com a formação de psicólogos me encanta justamente pela possibilidade de articulação de conteúdos e de disciplinas. Permite-me a análise de diferentes dimensões, próprias da psicologia e a busca de relações recíprocas. É uma atividade de encontros e desencontros, há muita troca e diálogos. Como já mencionei, não acredito que nenhuma forma de conhecimento seja completa e, no Curso de Psicologia, essa ideia tem gerado resistências. Mas, como a realidade não tem significação própria, nós é que lhe atribuímos significados, a minha representação da realidade enquanto professora desse Curso (o meu “sonho de consumo”) é poder continuar a levar aos alunos a ideia do conhecimento como um fenômeno multidimensional, associado, abrangente, afetado, inacabado – o que não é tarefa fácil, nessa sociedade “globalizada”. Penso que cada ciência e cada ser é um campo enorme de potencialidades e acredito na existência de espaços silenciosos de convivência a serem preenchidos entre as ciências e os seres e, são nesses espaços que se produzem resultados na sala de aula, essa é a falta que nos move. Além da dimensão profissional, o Curso de Psicologia está repleto de pessoas especiais, que me afetam positiva e pessoalmente.

Deixo aqui em nome de todos os acadêmicos nosso sincero agradecimento pela sua disponibilidade, pelas valiosas palavras, e, com certeza, pelo carinho que tem nos ofertado.
Por: Rosina Forteski
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Cine Psico: estreando no Dia do Psicólogo!

 O Cine Psico vem aí, dia 27-08, dia do psicólogo.
Horário: 14:30h
A clínica SETES, parceira na realização deste evento,
fica em frente à Jangada.
O filme a ser assistido está sendo votado em uma enquete neste blog, à sua direita. Até dia 21-08.

A ENTRADA SERÁ FRANCA.

Traga pipoca, chips, doces ou refrigerantes para compartilharmos.

O debate entre alunos e profissionais se dará após o filme, você pode vir pra debater ou pra assistir ao debate, como se sentir mais confortável.

O CAP conta com todos para o sucesso desta programação, certos de que será tanto produtivo quanto aprazível.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Discurso do CAP na ocasião da abertura da II Jornada de Psicologia


AOS ILUSTRÍSSIMOS COLEGAS DE MESA, AOS PROFESSORES, ACADÊMICOS, E COMUNIDADE EM GERAL AQUI PRESENTES, BOA NOITE.

Gostaria de iniciar esta pequena fala citando uma frase do autor a quem humildemente homenageamos com o nome do Centro Acadêmico de Psicologia, Michel Foucault, frase esta que resume um sentimento que nos move e nos define: “Devemos não somente nos defender, mas também nos afirmar, e nos afirmar não somente enquanto identidades, mas enquanto força criativa”.
Assim, como entidade composta e organizada por acadêmicos de psicologia, o CAP, tem como objetivo principal potencializar as ações e reivindicações dos estudantes com intuito de construir uma universidade de qualidade cada vez maior. Assim, a comunidade discente é não apenas o que o constitui, mas o que lhe dá sentido e o que movimenta suas iniciativas e suas perseveranças.
A relação que queremos manter com nosso conhecimento, não é uma relação comercial. Queremos ser agentes ativos dessa construção. Ir além das horas que nos são oferecidas em sala e do conhecimento proporcionado pelos estudos dirigidos e leituras obrigatórias. Queremos um espaço de discussão, que fomente a crítica e o crescimento. Nesse sentido, é de suma importância a existência, dentro de cada Instituição de Ensino, de um Centro Acadêmico ativo. Pois a troca de saberes e a luta por uma sociedade melhor e mais humana quando percorrida solitariamente, é árdua e desinteressante, porque não há acalento e a opressão é avassaladora. Porém em conjunto, apesar de pesada, ela se torna possível, e por conseqüência, realidade. Pois é na troca, no apoio e nas relações que se constrói o mundo e uma sociedade mais digna, pela qual perseveramos e pela qual lutamos. 
Pensamos que promover uma consciência crítica, ética e de responsabilidade social da classe discente perante a atuação profissional do psicólogo é uma das funções mais gratificantes e também mais desafiadoras de um Centro Acadêmico. Unir e mobilizar a classe estudantil em torno de causas justas e urgentes e apostar na sua criticidade e capacidade de discussão das políticas inerentes nas relações é essencial para a efetivação de uma trajetória acadêmica produtiva, consciente, democrática e dialética. Lembrando ainda que a contestação,  a revisão e  a crítica às ideologias instituídas é a essência de todo espírito científico.
Sabemos é claro, que nem sempre esta iniciativa será convergente com as atitudes de calmaria e com os comportamentos normativos estanques que são estabelecidos como ideais e encontrados no dia a dia, na maioria das vezes difundidos por minorias reacionárias que não mais se sensibilizam com a diversidade de possibilidades e condições que hoje se apresenta de forma triste, mas evidente. Por isso entendemos que é nossa função, enquanto acadêmicos e enquanto pessoas de Psicologia, reverter este processo de naturalização da indiferença, no qual a apatia e a indolência intelectual são posturas desejadas e a aversão às discussões e reivindicações sociais e políticas são desencorajadas e tolhidas desde os primórdios do desenvolvimento do homem.
O campus universitário precisa ser arena de discussão e de promoção de agentes multiplicadores do discurso livre e do pensamento crítico, é neste berço que se propõe a desconstrução de compreensões reducionistas e tendenciosas, onde são contestadas e ameaçadas as idéias de alienação e perversão dos direitos humanos. E para compor novos cenários e novas possibilidades de entendimento a hegemonia dos dogmas e das verdades absolutas precisa tombar, para então emergir a pluralidade de opiniões,  a real democracia e a liberdade de expressão política. O discurso da sociedade precisa ser renovado, e para tanto, o diálogo aberto precisa ser premissa. Essa é a contribuição e a luta do movimento estudantil. À esta causa estamos orgulhosamente abraçados.
A realização desta II Jornada de Psicologia é o exemplo mais concreto da efetividade e da força da mobilização estudantil organizada. Este é um momento de intercâmbio, de crescimento e, principalmente, de confraternização. Por isto desejamos a todos que tenham uma instigante, divertida e valorosa Jornada Acadêmica de Psicologia. E assim como abri esta fala com um pensador, assim com outro a encerro:
“O Conhecimento é uma força e não um mero ornamento"  Francis Bacon.

Construção Coletiva - CAP

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Camiseta da II Jornada de Psicologia


Esta é a arte da Camiseta deste ano, será em malha preta de boa qualidade.
Elas serão vendidas nos dias da Jornada e teremos um número limitado, apenas 50.
Portanto, não perca tempo e garanta a sua.
O dinheiro adquirido será utilizado para melhorias na Clínica Escola.
O valor ainda está sendo combinado.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A II Jornada de Psicologia traz o Hemosc até você

Professores, alunos, profissionais de saúde e membros da comunidade em geral:
No dia 09 de agosto de 2011,  ou seja,
dentro da programação da II Jornada de Psicologia,
teremos a presença do Hemosc na Fameg para cadastro de possíveis doadores de medula óssea. Como é feito?
É retirada uma pequena amostra de sangue (5ml) que irá para o banco de dados.
As chances de compatibilidade são muito pequenas por isto é muito importante a grande adesão das pessoas.
É importante frisar que a realização do cadastro e a constatação de uma possível compatibilidade sanguínea com alguém que precise da doação não obriga a pessoa a fazer a doação. ELA SERÁ CONVIDADA A DOAR.
Os dados do doador são inseridos no cadastro do REDOME e, sempre que surgir um novo paciente, a compatibilidade será verificada. Uma vez confirmada, o doador será consultado para decidir quanto à doação. O transplante de medula óssea é um procedimento seguro, realizado em ambiente cirúrgico, feito sob anestesia geral, e requer internação de, no mínimo, 24 horas.

Quem pode doar?
É preciso ter entre 18 e 55 anos de idade e gozar de boa saúde.
Na semana anterior à Jornada teremos uma palestra com o pessoal do Hemosc que explicará detalhes sobre a coleta e sua importância.

Nesta mesma noite teremos a Banda Porthos Bar de Jaraguá do Sul que gentilmente fará uma apresentação voluntária enquanto o Hemosc realiza seu trabalho.
Pretendemos fazer desta noite um momento de Ação Consciente e também de Confraternização Acadêmica.
Pois o espaço no qual a banda tocará, o auditório grande, ficará aberto para entrada e saída e um coquetel será servido na sala ao lado.

Reserve essa noite para Agir em prol de quem precisa, dê um passo além e de quebra aproveite o ambiente para rir, conversar e curtir um bom som com seus colegas de classe e professores presentes.

Traga seus amigos e familiares para fazer o cadastro também.
Espalhe esta idéia e ajude pra que ela vire ação!

PSICOLOGIA E CONSCIÊNCIA SOLIDÁRIA: UMA UNIÃO INEVITÁVEL. VAMOS JUNTOS?

Mais informações:

segunda-feira, 20 de junho de 2011

INSCRIÇÃO DE TRABALHO PARA APRESENTAÇÃO NA II JORNADA DE PSICOLOGIA

         
Convidamos os acadêmicos de psicologia da Fameg a socializarem alguns dos trabalhos desenvolvidos ao longo do curso. No dia 08/08 das 20:00 as 22:00h, no auditório do bloco B. Lembrando que essa é uma grande oportunidade de troca e interação entre os estudantes. Solicitamos que os interessados em participar preencham A FICHA DE INCRIÇÃO, com o nome do participante ou dos integrantes do grupo, e-mail, turma e um pequeno resumo do trabalho. Em caso de dúvidas entrar em contato com Gean Psi 1.5, Leonir Psi 1.5 ou Gláucia Psi 1.7, através dos respectivos e-mails: gean.psi@gmail.com; leolnir@hotmail.com ou glau_sevegnani@hotmail.com
OBS: AS INCRIÇÕES PODEM SER FEITAS PESSOALMENTE OU POR E-MAIL, APÓS ENVIO DA FICHA DE INSCRIÇÃO QUE ESTÁ DISPONÍVEL NO NO BLOG, na barra links para download ao lado direito: http://capmfoucault.blogspot.com/  através do link:  http://www.4shared.com/document/mAwIUC1b/apresentao_de_trabalhos_semana.html

INSCRIÇÕES ATÉ DIA 30/06, VAGAS LIMITADAS!!!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Compartilhando artigos: Gean Ramos

UMA CAMINHADA PELA LOUCURA ATRAVÉS DOS TEMPOS

INTRODUÇÃO

O tema da loucura, e do sujeito dito louco, é abordado nesse trabalho de forma histórica, considerando alguns dos principais movimentos e pensadores ligados ao tema. Assim como, as reformas ocorridas no campo da saúde mental ao redor do mundo e o desfecho dessas mudanças de paradigma nas políticas públicas de saúde aqui no Brasil.


O DITO LOUCO ATRAVÉS DOS TEMPOS

A visão que os estudiosos em saúde mental têm do indivíduo dito “louco” nos dias atuais é resultado de uma longa jornada de reflexões e movimentos sociais e políticos ocorridos no decorrer da história. Muitos foram - e infelizmente ainda o são em alguns casos - os métodos utilizados para classificar, “tratar”, e de forma geral lidar com esses sujeitos através dos tempos. Na maioria das vezes métodos cruéis, sem a obtenção de resultados que proporcionassem uma melhora para a condição de vida desses sujeitos, muito menos sua (re)integração ao grupo social; respondendo apenas a uma lógica higienizadora de cidades. Muito se pensou acerca do tema da loucura, e muitas formas de interpretar esse tema foram elaboradas. Pereira (2002) coloca que quando tentasse conceituar loucura geralmente o que se leva em conta é a idéia de que tais sujeitos compreendem um desvio dos padrões normais de conduta; enfatizando que tal concepção sempre é embasada em uma comparação entre o normal - o racional e saudável - em contraponto ao louco, ao doente mental. O mesmo autor propõe que a classificação da doença mental está intimamente ligada aos padrões de conduta e regras estabelecidos para uma determinada cultura, em determinada sociedade. Em resumo, Pereira diz que o que é considerado loucura aqui, em nossa sociedade ocidental, pode ser considerado um dom divino em alguma outra cultura, por exemplo, as que possuem um chamã como sendo um líder espiritual de grande importância para aquele povo. “[...] dizer que há modelos sociais de loucura significa que o indivíduo não enlouquece segundo seus próprios desígnios, mas segundo um quadro previsto pela cultura da qual é membro” (PEREIRA, p. 29, 2002).
      No âmbito histórico podem ser apontados alguns períodos e lugares onde iniciaram os processos de institucionalização e exclusão de uma grande quantidade de personagens sociais, tais como: alquimistas, portadores de doenças venéreas, libertinos de toda espécie e mendigos. Enfim, todos aqueles que estivessem fora dos padrões concebidos e aceitos pela classe dominante da época. Na França, por exemplo, em meados do século XVII, inicia-se essa separação entre os possuidores da razão e os ditos loucos, ou todos aqueles que poderiam por em jogo as proibições sexuais e religiosas vigentes. A loucura é aprisionada sobe o julgo da razão, e é através do olhar mecanicista proposto por essa razão vigente que a loucura será apontada como doença, defeito e falta.  Segundo Foucault (1972), a forma pela qual eram tratadas doenças como a Lepra, que excluíam o indivíduo do meio em que vivia por temê-lo, foi um dos fatores que fizeram surgir mais tarde a idéia de que existe uma necessidade de internação, de exclusão do dito “louco” do ambiente social em que ele vive.
Nessa época em que a igreja possuía os poderes e ditava a verdade, as doenças eram consideradas castigos divinos, e as graças suas bênçãos. A exclusão do individuo portador da “doença” era considerada uma forma de salvação, uma benção, já que assim, ele teria a chance de redimir-se dos seus pecados (FOUCAULT, 1972).
É difundido nesse período a idéia de que os loucos, ou qualquer outro sujeito que não fosse considerado “normal” deveriam ser isolados do restante da sociedade, para que assim fosse garantida a segurança no meio externo ao manicômio, satisfazendo a vontade da classe burguesa com o poder dominante naquele período (PEREIRA, 2002).
            Pereira (2002) aponta ainda que, até o século XIX é aplicada uma forma dominante de conhecimento, que é a do saber psiquiátrico, da razão estreitamente dominadora no campo da loucura, e essa razão dominadora - se pensava - era a única hábil e responsável para lidar com os “insanos” que lotavam os asilos.
Após esse período de total dominação do saber psiquiátrico sobre a loucura, já no final do século XIX e inicio do século XX, começam a surgir pensadores do próprio campo da medicina e também da filosofia que, propunham um novo olhar sobre a forma de lidar com o tema da loucura e com os próprios sujeitos que eram acometidos de sofrimento psíquico. Podemos citar Freud, quando demonstra que ao nível individual toda produção mental tem um sentido, consciente ou não.
Pensadores como Franco Basaglia, que foi muito influente para o movimento de transformação da pratica no âmbito da psiquiatria, principalmente no que diz respeito à luta contra a institucionalização, e da ênfase na consciência das transformações resultantes da pratica efetiva de luta nos campos político e social (AMARANTE, 1994).
Franco Basaglia foi um dos grandes responsáveis pela luta anti-manicomial. Alguns de seus objetivos eram (AMARANTE, 1994): A luta contra a institucionalização; A luta contra a tecnificação, para que não sejam criadas com isso, novas técnicas de intervenção para substituírem as já existentes e combatidas; A invenção e constituição de uma relação de contrato social; A difusão da idéia de que a consciência das transformações advém da prática efetiva de luta nos campos político e social.
Principalmente nas décadas de 70 e 80, começaram a surgir em todo o mundo movimentos chamados de Novos Movimentos Sociais (NMSs). São movimentos que tem por principal objetivo denunciar as formas cotidianas de opressão. De forma geral, os NMSs contribuíram para a valorização da subjetividade, das diferenças, da cidadania e da emancipação, indo contra a idéia de regulação e padronização social (GUIMARÃES, et al. 2001).
A partir daí então foram aprovadas as portarias 189/91 e 224/92, viabilizando assim que o sistema único de saúde (SUS) possa financiar vários procedimentos de atenção em saúde mental que fossem substitutivos ao modelo hospitalocêntrico, manicomial. Integrando ao SUS, estão os CAPs (centros de atenção psicossocial), assim como os NAPs (núcleos de atenção psicossocial) que, regulamentados pela portaria nº 336/GM, de 19 de fevereiro de 2002, reconheceu e ampliou o funcionamento e a complexidade dos CAPS, que têm a missão de dar um atendimento diuturno às pessoas que sofrem com transtornos mentais severos , oferecendo cuidados clínicos e de reabilitação psicossocial (BRASIL, 2004).


CONSIDERAÇÕES

Bom, finalmente o dito “louco” chegou a um lugar sem camisa-de-força ou eletro-choque, sem água gelada na cara ou imundices, sem sofrimento de toda espécie, mas, será mesmo que ninguém ficou pelo caminho? Será que todo o sofrimento cessou? A caminhada foi longa, as vitórias foram muitas, porém, infelizmente ainda existem lugares onde a loucura ainda não cessou, pois a loucura nesses locais é realimentada a cada instante, no isolamento, no esquecimento, na simples e cruel condição de ser mais um excluído do convívio com aqueles, que autodenominando-se “normais”, e se esquecem que é dever de todos lutar para a melhoria continua das condições de vida, não somente a própria, mas também a do outro, pois afinal de contas somos todos humanos e merecemos igualmente um tratamento digno e de respeito.
O papel do profissional de saúde mental nesse sentido é o de promover junto à população, um trabalho de reinserção social dos usuários, dos “loucos”. Isso permitindo a tais o acesso ao trabalho, lazer, direitos civis e fortalecimento das relações familiares e na comunidade onde vive.


REFERÊNCIAS:

AMARANTE, Paulo. Uma aventura no manicômio: a trajetória de Franco Basaglia. Hist. cienc. saude-Manguinhos,  Rio de Janeiro,  v. 1,  n. 1, Out.  1994 .   Disponivel em: . Acesso em: 17  abril.  2011.  doi: 10.1590/S0104-59701994000100006.

AMARANTE, P.; TORRE, E. H. G. A constituição de novas práticas no campo da Atenção Psicossocial: análise de dois projetos pioneiros na Reforma
Psiquiátrica no Brasil. Rer. Saúde em debate, Rio de Janeiro, ano XXV v.25 n.58 maio/ago. 2001. Disponível em:<http://www.cebes.org.br/media/File/publicacoes/Rev%20Saude%20Debate/Saude%20em%20Debate_n58.pdf#page=7>. Acesso em: 18 abril. 2011.

BRASIL. Saúde mental no SUS: os centros de atenção psicossocial / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília: Ministério  da Saúde, 2004.

FOUCAULT, M. A história da loucura na idade clássica. São Paulo: Perspectiva, 1972.

GUIMARÃES, et al. Desinstitucionalização em Saúde Mental: considerações sobre o paradigma emergente. Rev. Saúde em debate, Rio de Janeiro, ano XXV v.25 n.58 maio/ago. 2001. Disponível em:

PEREIRA, J. F. O que é loucura. 10. ed. São Paulo: Brasiliense, 2002.




Gean é aluno de Psicologia do quinto semestre.