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quinta-feira, 29 de março de 2012

Com O QUE trabalha o Psicólogo?

Enquete entre os acadêmicos: o CAP fez esta pergunta para estudantes de diversos semestres e revela aqui uma interessante rede de representações sobre o fazer psicológico. 

“O Psicólogo trabalha com as pessoas na tentativa de ajudá-las a identificar seus problemas relacionados com o comportamento, equilíbrio emocional, dificuldades na comunicação e expressão, visando o interesse no comportamento humano e assim auxiliar o paciente para que possa ter uma qualidade de vida saudável no relacionamento familiar e também social”.

Sueli Vanessa, 1.5


"O psicólogo tem a possibilidade de auxiliar os seus semelhantes, para que tenham uma vivência mais plena, além de contribuir para uma sociedade justa e igualitária, que garanta os direitos humanos e a possibilidade expressão. E ainda tem o privilégio de enriquecer a sua existência com a troca de experiências que realiza com cada pessoa que atravessa o seu caminho".

Amanda Franklin, 1.8


"Acho que um psicólogo trabalha em ajudar as pessoas com seus problemas sejam eles pessoais ou comportamentais ou com a sociedade".

Ana Wargenowski, 1.1


“O Psicólogo trabalha com o que de mais precioso existe, o ser humano”.

Tarcila Bandeira, 1.5


“O psicólogo trabalha com o comportamento do ser humano, visando proporcionar uma harmonia nas interações do sujeito com o ambiente, com os grupos sociais que o cercam e consigo mesmo, podendo analisar os problemas do individuo e trazer ao entendimento do mesmo algum tipo de intervenção que possa melhorar essa relação do mesmo para com seus transtornos. Sendo assim o psicólogo não exerce apenas uma profissão, mas possui uma missão, com a ética e a moral, em busca de respostas que possam traduzir um bem-estar, ao usuário do serviço que o procura”.

Jeferson Ferrari, 1.3


“O psicólogo, a meu ver, trabalha com muitas coisas como o subjetivo, o inconsciente, consciente, comportamento, relações sociais, motivação, dados de uma pesquisa em geral eu diria ainda com o todo no sentido holístico de um indivíduo ou organização, por isso estamos inseridos em diferentes campos de atuação desde pesquisa cientifica, há uma clínica, esporte, empresa e diversos outros lugares e todos estes lugares tem campo e necessidade de psicólogos que estejam sempre prontos a pesquisar se atualizar e ajudar a sociedade a se desenvolver de forma saudável”.

Gilmar Farias, 2.9


“Trabalhamos com a demanda mais complexa e maravilhosa, o ser humano. Não importa em que contexto, a meu ver, trabalhamos com a angústia, o encontro com o real. O não fazer, o não agir, o não saber ouvir nossas próprias palavras e interpretar desejos. Somos nossas próprias perguntas”.

Francine Murara, 2.9


“Ser psicólogo para mim é trabalhar dentro de um embasamento teórico, utilizando-se de técnicas científicas, mantendo uma postura profissional ética, tendo como premissa o respeito ao ser humano dentro de sua subjetividade. O ser psicólogo vai além da profissão, é uma constante, um eterno aprimoramento, pois as mudanças na sociedade são inevitáveis, exigindo do profissional flexibilidade  disposição e sempre considerando a amplitude de campo da psicologia”.

Izolina Kreutzfeld, 1.9


“Sem pensar muito, o psicólogo trabalha com o fenômeno psicológico e saber identificar este fenômeno é o primeiro passo para a eficácia de sua atuação. O que vem depois é saber o que fazer com este fenômeno”.

Mônica Sadowski, 1.7


“O psicólogo trabalha com sujeitos e assim tudo que está relacionado a este. Estuda nos seres humanos seus comportamentos e processos mentais de forma a ajudá-los”.

Bianca Klockner, 1.9


“Trabalha no estudo das relações entre o que os sujeitos/organismos fazem, seu meio e as formas resultantes desta interação”.

Valquiria Michalak, 1.5


“Qualquer forma de vida e/ou relação cabe à psicologia. O psicólogo pode estar inserido em vários contextos e atuar de variadas maneiras com diversos fenômenos. O que jamais deve se perder é o olhar com respeito e compreensão, sem discriminação e julgamentos”.

Gláucia Sevegnani, 2.9


“O fazer do psicólogo está na escuta, na atenção, na doação, na humildade, no silêncio, no amor, e deve ser livre de pré-conceitos e julgamentos; O psicólogo deve estar atento a ouvir as palavras não ditas, e as expressões ditas através do corpo, do olhar, do relacionar-se, para então ajudar aquele que vier lhe confiar sua vida na reconstrução de uma vida nova”.

Lúcia Bogo, 1.8


“Trabalha com o fenômeno psicológico, quer dizer, com os comportamentos e aspectos subjetivos inerentes ao ser humano e suas relações com a realidade do outro e do mundo, isso em interface com diversas áreas do conhecimento”.

Gean Ramos, 1.7

Agradecemos à todos os que participaram tão gentilmente, aguardem nova enquete.

Saudações CAPnianas...

Rosina Forteski

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

...E chegamos a isto: Implantação de Hospital Psiquiátrico em Jaraguá!

Jornal do Vale do Itapocú- 12 de janeiro de 2012
A atual proposta de cuidado e atenção em saúde busca compreender o indivíduo na sua totalidade, entendendo que sua construção se dá no mundo e está, portanto, dialeticamente enraizada nas questões sociais, políticas e culturais do seu território. Assim, evita-se o reducionismo que descreve uma relação maniqueísta do tipo normal-patológico, bom-mau, revendo os condicionantes para a saúde do homem entendidos agora como uma multiplicidade de fatores que vão muito além dos biológicos. Neste viés, propõe-se que o tratamento seja baseado na inclusão social e discutido por uma equipe interdisciplinar, contando com a participação co-responsável do indivíduo que não mais é entendido como passivo, obediente e incapaz, uma vez que o conhecimento acerca da sua trajetória e do seu sofrimento que ele traz é referência para o tratamento. A evolução está, primeiramente, no respeito aos Direitos Humanos básicos (o que significa, entre outras premissas, não excluir e não oprimir) e segundo, em não mais negar ao indivíduo o protagonismo com relação a sua própria vida, mas sim promover condições para que este exerça sua cidadania. A Reforma Psiquiátrica nos trouxe esta mudança de paradigmas e neste processo fez-se necessário a extinção progressiva dos Hospitais Psiquiátricos e a implantação dos CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) como alternativa ética e de apoio à reinserção social de tratamento que não subordinasse o indivíduo à marginalização, que não o condenasse à punição em função de um sofrimento que rescende a desamparo social. A sugestão de construção de um novo Hospital Psiquiátrico em Jaraguá do Sul, enquanto a luta do país se dá no sentido oposto, de Humanização, é um retrocesso que sem dúvida suscita questionamentos sérios e diversos, mas que principalmente nos sugere um nível absurdo de ignorância daqueles que nos representam politicamente.

Rosina Forteski

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

AUMENTO DE MENSALIDADE?




           Ano após ano, temos que encarar aquele número _R$$$_ do boleto, que aumenta abundantemente, sem nenhuma explicação plausível (sem explicação), o que temos a ver com isso, o que podemos fazer?
Algumas informações interessantes sobre o tema abaixo...

De acordo com a Lei 8170/91, o procedimento para reajuste das mensalidades escolares é o seguinte: a escola deve estipular o valor da mensalidade com base no seu planejamento pedagógico e econômico-financeiro. Esse valor deve ser apresentado aos alunos, pais e responsáveis até 45 dias antes do inicio da matrícula. Se os pais (ou alunos) não estiverem de acordo, poderão  recorrer a seguintes etapas no prazo de 10 dias a partir da data de publicação ou postagem da proposta da escola:
Propor uma negociação ao colégio, desde que tenham o apoio de no mínimo 10% de alunos.
OBS: Todas essas negociações devem contar com o apoio de pelo menos 10% dos pais ou responsáveis pelos alunos para representá-los em uma negociação. No caso do ensino superior, cabe aos diretórios acadêmicos a iniciativa de representação dos alunos.

Como deve funcionar a negociação:

As Associações resolvem a questão diretamente com o a escola através de acordo. Quando não há acordo, caberá à Delegacia Regional do MEC (Ministério da Educação) conduzir o processo de negociação. O Delegado Regional irá presidir uma comissão com três representantes das associações de pais (ou de diretórios acadêmicos no caso do ensino superior) e três representantes indicados pelos sindicatos dos estabelecimentos particulares.
             O valor do acordo deve ser estabelecido em contrato; até o momento, os reajustes serão feitos através do repasse de até 70% do índice de reajuste concedido aos professores e pessoal técnico e administrativo, somando ao repasse de até 30% da variação de índice acumulado do IPC ou outro indicador que o substituir. (Importante: a lei 8170 estabelece que o contrato deve obedecer às disposições do Código de Defesa do Consumidor).
Se não houver acordo, a comissão de encargos encerrará os trabalhos e os interessados deverão procurar o Poder Judiciário. O prazo para o acordo é de 10 dias úteis.
             Em princípio, a norma aplicável de maior relevância está contida no Art. 1o - da Lei 9.870, de 23 de novembro de 1999: 
“§ 1o - O valor anual ou semestral (...) deverá ter como base a última parcela da anuidade ou da semestralidade legalmente fixada no ano anterior, multiplicada pelo número de parcelas do período letivo.” (grifamos).
             De forma a complementar essa regra, a Medida Provisória 2173-24, de 23 de agosto de 2001 estabelece.
       "§ 3o - Poderá ser acrescido ao valor total anual de que trata o § 1o montante proporcional à variação de custos a título de pessoal e de custeio, comprovado mediante apresentação de planilha de custo, mesmo quando esta variação resulte da introdução de aprimoramentos no processo didático-pedagógico. 
       Alunos podem exigir explicações da escola sobre os motivos dos reajustes das mensalidades. O aumento deve ser comprovado nas planilhas de custos e despesas das escolas. "Qualquer aluno pode ter acesso às planilhas de custo das escolas. Isso porque o artigo 18 do Código de Defesa do Consumidor dá direito às informações que justifiquem o reajuste". Pela lei, a escola precisa apresentar à Secretaria Estadual da Educação a planilha de custo para realizar o aumento da mensalidade.
             Esta planilha de custos reúne dados da folha de pagamentos e encargos, manutenção do estabelecimento de ensino e investimentos previstos como, por exemplo, ampliação de espaços e ambientes ou construções de novas salas de aulas ou laboratórios


 


REFERÊNCIAS

Primeira Marcha Antimanicomial de Jaraguá do Sul - Participação do CAP de demais acadêmicos!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Entrevista com a Psicóloga Roselaine Radtke

Com prazer entrevistamos hoje a Psicóloga do CAPS II de Joinville – Centro de Atenção Psicossocial, o CAD – Centro de Atenção Diária “Nossa Casa” 
Roselaine Radtke

Roselaine, gostamos sempre de conhecer primeiramente um pouco da parte do cotidiano de cada profissional que não se refere ao seu trabalho. Poderia nos falar um pouco sobre seus hobbies, atividades e interesses paralelos?

Olá Rosina... primeiramente quero dizer que é um grande prazer participar deste questionário, que me sinto muito gratificada por compartilhar experiências com pessoas que tem interesse no assunto. Adoro fazer trocas pois sempre há muito crescimento nisso.

Sobre minha vida sou casada com um farmacêutico “bem saúde pública também”, não tenho filhos ainda, mas planejo para o ano que vem, tenho 30 anos, gosto de tudo que é cult: ler, ver filmes, muitos documentários e biografias, gosto de saber o que está acontecendo na política, economia, leio  jornal diariamente, gosto de conhecer lugares, principalmente os ao meu redor, gosto de ficar “lambendo” a minha casa, cuidando, mexendo, arrumando, planejando, gosto também de andar na rua, fazer minhas coisas à pé, fuçar lojas, gosto também de recarregar minhas energias abraçando e interagindo com crianças, sejam os sobrinhos, priminhos, ou os filhos de colegas.

Agora sim, nos fale por favor sobre sua formação profissional e sobre seu local de trabalho atual.

Sou psicóloga, formada pela faculdade de psicologia de Joinville – ACE – em 2007 com pós-graduação em saúde pública: “Estratégia Saúde da Família” com cursos e estudos de extensão em psicodinâmica, e psicanálise. Trabalho em CAPS II – Centro de Atenção Psicossocial, com o nome fantasia de CAD – Centro de Atenção Diária “Nossa Casa” o primeiro CAPS do Estado, que atende atualmente a região centro-sul de Joinville e uma Residência Terapêutica, estratégia do programa “De Volta para Casa”. Atuo em equipe multidisciplinar e intersetorial, pois precisamos lançar mão de várias estratégias de atenção psicossocial para otimizar nosso trabalho.

Roselaine, por que saúde pública? Poderia nos falar um pouco sobre os determinantes que acabaram por te levar a este setor e quais as especificidades que a mantém atuando neste campo?

Sou filha de professora de Artes e advogado, minha mãe fazia trabalhos comunitários em associação de mães e moradores, ensinando técnicas de geração de renda: pintura em tecido, artesanato, etc. sempre a acompanhei na minha infância de “Mobillete” na época, indo nessas associações, até que ela entrou na educação como professora de sala de aula.

Meu pai sempre foi um profissional que trabalhou com pessoas, seja quando ele tinha agência de emprego, ou depois como advogado, atendendo as demandas de pessoas em seu cotidiano, não de instituições.

Em 2004 já na faculdade, fiz “por acaso” concurso público para agente administrativo no Hospital Municipal São José de Joinville, na busca de trabalho para arcar com os custos do curso, e trabalhei diretamente no setor de Pediatria e UTI-Pediátrica com crianças com todo o tipo de demanda: clínica, ortopedia, oncologia, entre outros. O convívio com esta demanda, em especial crianças que estão em condição de formação de personalidade, me fez vivenciar situações, que posso dizer como “viscerais” de sofrimento, principalmente nos óbitos, bem como situações de superação e resignificação de vivências, à partir do sofrimento, pois a internação hospitalar decorre de algum sofrimento.  

Eu acho que o “estar junto” nesse processo tão peculiar na vida das pessoas, e a forma como eu me adaptei a essa vivência, numa transformação dentro daquilo que é tão “primitivo”, “humano” numa perspectiva de acolhimento, de crescimento mútuo na relação, com certeza tiveram modificações na minha visão de mundo, me tornando mais atraída, ou interessada por esse tipo de vivência dentro do contexto público de atendimento. Nesse cotidiano, tendo acesso aos meios de trabalho, às informações sobre gestão e financiamento público fez com que eu me direcionasse a isso, pois para mim, a grandiosidade do campo de atuação no serviço público, o sentimento de pertencimento a algo “maior”, de “servir” as pessoas, e a verificação de que todas as situações, desde as mais simples às mais complexas são vivenciadas neste ambiente, me é muito sedutor. Estas considerações finais são também a motivação que me mantém atuando neste campo, aliado ao acesso aos mais diferentes tipos de profissionais, ambientes e tecnologias. É uma entrega, pois cada rua que se anda, cada pessoa que eu encontro, cada espaço da cidade é um potencial para atuação.

Roselaine, você trabalha em um CAPS II, poderia nos falar um pouco sobre as particularidades das demandas de atendimento e organização deste dispositivo de saúde pública?

A demanda de CAPS é de sofrimento mental grave: agudo ou persistente. É um dispositivo regionalizado, ou seja, que atende a uma população adscrita, integrado em articulação com a rede básica de saúde, previdência social, assistência social e educação, estes setores são os principais. Atendemos especialmente a crise, o sofrimento grave, por isso devemos estar integrados a outras estratégias de atenção psicossocial, pois os espaços de convivência, superação e manejo do sofrimento, antes e depois da crise, acontece na comunidade, no cotidiano onde a pessoa reside e efetiva suas relações sociais. Outro pilar importante no tratamento é a família, entendendo-a como o núcleo social primário, sendo que uma família bem articulada e comprometida com o tratamento é fundamental e muitas vezes determinante para o bom prognóstico da situação.

Em função da gravidade do sofrimento, os usuários realizam tratamento medicamentoso e estratégias de reabilitação psicossocial multidisciplinares, seja no resgate de sua autonomia cotidiana, de seus direitos, fortalecimento emocional, entendimento de sua atual condição, de seu momento, trabalhando as condicionantes do sofrimento e estratégias de superação.


Na graduação estamos constantemente discutindo sobre a funcionalidade e a eficiência da operacionalização do SUS. No decorrer dela descobrimos que o SUS é uma rede enorme e que o que comumente reclama-se ser ineficiente é apenas um dos muitos braços deste fantástico sistema, e neste processo também as razões deste funcionamento insuficiente passam a se desvelar aos poucos desnudando relações de interesses e poderes desconhecidas pela população, principalmente porque a mídia deliberadamente assim “educa” as massas. Como você percebe a eficiência e o alcance do SUS e suas propostas no setor onde você atua?

Acredito que o SUS é um sistema complexo e, em sua proposta, altamente qualificado e completo. O problema é o campo da atuação, tanto dos trabalhadores e gestores quanto no campo dos usuários. O que eu percebo sobre as queixas do SUS dizem respeito às pessoas que não sabem usar o SUS, e os trabalhadores e gestores como não tendo a prática em sintonia com a proposta SUS, por isso tanta discrepância. Porém esta não é a percepção do todo, senão este sistema não teria completado seus 20anos de implantação recentemente. O que acontece no SUS é reflexo de nossa sociedade contemporânea, do individualismo, do imediatismo. Precisamos investir na prevenção, no bom uso dos recursos, na motivação profissional e controle social. Prevenção é subjetiva, são investimentos de médio e longo prazo, e aí entram as questões da sociedade imediatista, nos resultados à curto prazo, na visibilidade imediata das ações. Sobre o bom uso dos recursos, passa pelo mesmo viés, numa sociedade imediatista, ansiosa, consumidora no sentido de querer consumir para si, para o bem próprio apenas. Percebo que as queixas provém de situações onde se encontram usuários e trabalhadores que não estão num nível de cultura e de educação para o sistema SUS da teoria.

O primeiro recurso altamente qualificado e imprescindível nesse processo são AS PESSOAS, pois os demais recursos são conquistados por elas, seja pelos trabalhadores e gestores, seja pela mobilização social, percebendo que está no plural: “as pessoas”, cada dia é um novo dia para ser fazer melhor e se conquistar alguém para se fazer junto.

Percebo a eficiência e o alcance do SUS na proposta de grupos setorializados, e quando você encontra profissionais e gestores comprometidos o bom trabalho acontece, do contrário, se lamenta. No CAPS eu percebo que nós não conseguimos cuidar de todos os que necessitam do serviço, existem muitas pessoas em sofrimento que não chegam ao nosso serviço, mas para quem acessa o serviço, procuramos fazer bem feito no nosso papel, comprometidos na capilarização das ações e no contágio positivo de equipes e setores para efetivarem o mesmo: um serviço de qualidade. Prova disto foi a última avaliação do CAPSUL, que é um programa de avaliação dos CAPS do Sul do País, uma parceria entre Ministério da Saúde e a Universidade de Pelotas, sendo que o nosso CAPS foi avaliado como de alta qualidade.

Os CAPS são dispositivos substitutivos dos manicômios e representam uma operacionalização das propostas da Reforma Psiquiátrica, como você avaliaria a eficiência destes dispositivos nesta função?

Eu acredito na proposta CAPS de atendimento. O sofrimento faz parte do ser humano, e pensar numa sociedade sem dispositivos para se acolher o sofrimento, é utopia. Mudam-se as gerações, a cultura e o sofrimento aparece conforme esse processo. O ganho do CAPS é mudança na atenção ao sofrimento, que tem como diferencial o manejo, a articulação intersetorial e com a rede social, o tratamento medicamentoso assistido por médico psiquiatra sem isolamento institucional, incentivo ao envolvimento familiar, entre outros, questões estas que as anteriores formas de tratamento não faziam.  

Como é trabalhar em uma equipe multidisciplinar em um CAPS que representa, de certa forma, a materialização de um novo modelo de cuidar em saúde e como é o entendimento e o engajamento dos demais profissionais que atuam no CAPS sobre os pressupostos da Reforma Psiquiátrica?

Significa a concretização da luta de milhares de trabalhadores e usuários do sistema de saúde mental, que está dando certo. É um grande orgulho ver a evolução no tratamento das pessoas, cada uma retomando sua vida cotidiana, passando pelo processo de resignificação de vivências. O trabalho multidisciplinar é um grande desafio, de crescimento mútuo, de adaptações na forma do “ser e do fazer”, e é muito motivador, pois ninguém cresce sozinho, nem um serviço, nem uma equipe. É o ápice da gratificação ver que a estratégia de atenção psicossocial dá certo para o sofrimento mental.

Roselaine, você poderia selecionar três características básicas que um profissional psicólogo que pretenda trabalhar em saúde pública precisaria apresentar?

Curiosidade, humildade e solicitude.

Olhando para trás, para os seus anos de faculdade, como você caracterizaria sua formação em termos de preparação para a atuação em saúde pública considerando as características específicas das demandas exigidas do psicólogo por este setor?

A faculdade deu a teoria nuclear, o campo dá as possibilidades práticas, é um desafio cotidiano entrelaçar esses campos. A minha formação, que é recente, considero que não explorou o “chão social”, foi na especialização e na atuação prática que eu pude rever a bibliografia (a formação) e fazer essa conexão. O profissional sai da universidade com o que delineia a profissão, seus contornos, e a partir disto deve buscar o seu contínuo aperfeiçoamento, preenchimento.

Finalmente Roselaine, aos acadêmicos que tem interesse em trabalhar em saúde pública, algum conselho?

Motivação, preserve com muito carinho os seus momentos de renovação para não se deixar contagiar com as frustrações, e desafios que não são poucos e nem só seus. As pessoas esperam DE VOCÊ uma ação diferente, pois foi você quem se interessou por isso: a relação humana. Educação continuada, é imprescindível para a atuação, é peça chave da motivação, e distancia de uma coisa muito perigosa no trabalho multidisciplinar com a subjetividade: o “cair no senso comum”. E o livro de cabeceira: Código de ética do Psicólogo, dali tem tudo que o profissional da psicologia precisa para saber quem ele é e qual é o seu papel social.

Em nome de todos os acadêmicos e em especial do CAP M. Foucault nosso muito obrigado pela rica contribuição Roselaine.
Por: Rosina Forteski

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O drama da criança bem dotada
como os pais podem formar (e deformar) a vida emocional dos filhos.
Autora: Alice Miller
Ano: 2º Ed. 1997
Editora: Summus
            Este livro convida a uma reflexão sobre a vida de crianças bem dotadas, que passam a vida a reproduzir conceitos inconscientes ao mundo. O termo “bem dotada” aqui não se refere a uma super inteligência, mas sim àquelas crianças “boazinhas” e “comportadas”, que aprendem cedo seus “deveres”, terem muitas vezes cuidados de seus irmãos menores, ou seja, as crianças que foram o orgulho da família.
            A psicóloga polonesa Alice Miller através de observações em sua prática profissional aborda neste livro as reproduções, pelos adultos, de uma educação alienante e repressiva onde as crianças são levadas a acomodar-se às necessidades dos pais, o que leva, segundo a autora, ao desenvolvimento da personalidade do falso Self, onde o verdadeiro Self não consegue se desenvolver e se diferenciar porque não pôde ser vivido, aflorando sentimentos de vazio, falta de sentido, desenraizamento por esse vazio real. Dessa forma os próprios pais encontram no falso Self do filho um substituto para sua própria estrutura inexistente.
            É um livro interessante, onde podemos acompanhar a trajetória das descobertas e dos sentidos que são atribuídos aos comportamentos que reproduzimos como o desprezo, a grandiosidade e até mesmo a depressão. Reflete também as ilusões criadas pelos adultos no processo terapêutico, para não vivenciar frustrações e dores das insatisfações de não terem vivido por eles mesmos, mas sim em função do outro.
Embora a autora afirme a infância como fonte de nossos traumas, ela também reforça que não podemos mudar nada do passado, não podemos desfazer os males que nos foram feitos, mas podemos, através da conscientização, resgatar nossa integridade perdida. Neste livro aparece um processo muito semelhante ao conceito de individuação proposto por Jung.
A leitura deste livro contribui para nosso processo de análise pessoal, fundamental para nossa atuação enquanto psicólogos, bem como, para nossa atuação no mundo, enquanto sujeitos atores de nosso cotidiano, pois é a partir do autoconhecimento que o Self começa a articular, crescer e desenvolver a criatividade abrindo um caminho de saúde e vitalidade.
Um grande abraço e boa leitura a todos!
Magaly Karpen -Acadêmica do 4º ano de Psicologia da ACE/FGG
 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Indicação de filme pela acadêmica Solange Georg

Indico o filme: O Contador de Histórias
O filme conta a história de um menino de 06 anos, chamado Roberto, que foi escolhido pela sua mãe para ser internado numa instituição oficial para menores ( FEBEM) em Belo Horizonte. Na época, pois o filme passa na década de 70, acreditava-se que a intenção dessa instituição era a formação de doutores. Porém, já com 13 anos e ainda analfabeto, Roberto tem contato com drogas e acumula inúmeras fugas, várias infrações e é considerado irrecuperável, até que ele encontra uma pedagoga francesa que mudará pra sempre a sua vida.

Considero um filme encantador! Revela as diversas possibilidades de comunicação, assim como nos possibilita refletir sobre o "irrecuperável", e o quanto um olhar, uma escuta diferenciada podem efetivamente construir novas histórias. Roberto fugiu da FEBEM mais de cem vezes, foi sexualmente violentado, roubou, usou drogas e viveu na rua, mas essa não é sua única história, porque pode transforma-la a partir de uma relação de respeito e amor, sem desistência.

Solange Georg
Décimo semestre Psicologia